O que se sabe sobre o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã

  • 08/04/2026
(Foto: Reprodução)
A trégua provisória ocorre mais de um mês após EUA e Israel lançarem ataques coordenados contra o Irã Getty Images via BBC Irã e Estados Unidos concordaram com um cessar-fogo condicional de duas semanas, durante o qual o tráfego marítimo será permitido pelo estreito de Ormuz, via por onde passavam cerca de 20% do petróleo global até ser fechada pelo governo iraniano em reação aos ataques americanos e israelenses. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra O acordo de cessar-fogo foi fechado nesta terça-feira (7), mais de um mês após EUA e Israel lançarem ataques coordenados contra o Irã (iniciado em 28/2), e poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada" caso o Irã não reabrisse o estreito de Ormuz. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações, disse na manhã desta quarta-feira (8) que o cessar-fogo passou a valer imediatamente. Mediação de cessar-fogo entre Irã e Israel teve Paquistão como elemento chave Veja o que se sabe até agora sobre o acordo. O que disseram EUA e Irã? Trump afirmou que concordou em "suspender o bombardeio e os ataques contra o Irã por um período de duas semanas" caso o Irã aceite reabrir o estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo e outras exportações do Golfo. Em uma publicação em sua rede social, Truth Social, Trump disse que aceitou o cessar-fogo provisório porque "já atingimos e superamos todos os objetivos militares". Isso ocorre depois de ele ter alertado anteriormente que os EUA poderiam destruir o Irã "em uma noite" e que "toda civilização morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", ameaças que foram condenadas pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo papa. O Irã concordou em permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz por duas semanas, com o trânsito coordenado pelas forças militares iranianas. O país também apresentou um plano de 10 pontos, que inclui, entre outras medidas, a cessação completa da guerra no Irã, Iraque, Líbano e Iêmen; o "compromisso total" com a retirada das sanções contra o Irã; a liberação de fundos e ativos iranianos congelados pelos EUA; e o "pagamento integral de compensação pelos custos de reconstrução" ao Irã. Também afirma que o Irã "se compromete plenamente a não buscar a posse de armas nucleares". "A vitória do Irã no campo de batalha também será consolidada nas negociações políticas", afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã no comunicado. Segundo o primeiro-ministro paquistanês, o cessar-fogo também passará a valer no Líbano, onde Israel afirma estar em combate com o Hezbollah, partido político islâmico xiita e grupo paramilitar apoiado pelo Irã. A liderança de Israel tem afirmado que não deixará o Líbano até que a ameaça representada pelo Hezbollah seja eliminada. Não há indicação de que Israel tenha concordado em interromper suas operações no Líbano, ou em outros locais. Anúncio de cessar-fogo de duas semanas foi comemorado no Irã REUTERS O que disse Israel? Sirenes soaram em Israel logo após o anúncio de Trump, com as forças de segurança israelenses afirmando que estavam interceptando mísseis lançados pelo Irã. Diversas explosões foram ouvidas em Jerusalém na noite de terça-feira (7). Poucas horas após o anúncio do cessar-fogo por Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os bombardeios contra o Irã por duas semanas, sujeita à abertura imediata do estreito e a paralisação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região". A declaração israelense acrescenta que o "cessar-fogo não inclui o Líbano", onde Israel tem tropas em solo. A liderança israelense tem reiterado que não deixará o Líbano até que a ameaça do Hezbollah (aliado do Irã) seja eliminada. Até o momento, não há indicação de que Israel tenha concordado em interromper suas operações no país ou em outras frentes. Não está claro quão envolvido Netanyahu esteve na decisão de Trump de firmar o cessar-fogo. O que vem a seguir? O Paquistão, que tem intermediado as negociações, convidou as delegações dos países envolvidos no conflito para se encontrarem em Islamabad, capital do Paquistão, na sexta-feira (10) "para novas negociações em direção a um acordo conclusivo que resolva todas as disputas". A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reconheceu que existem discussões sobre conversas em encontros presenciais, mas disse que "nada é definitivo até ser anunciado pelo presidente ou pela Casa Branca". Qualquer que seja o formato, as negociações devem ser bastante difíceis. Os dois países já aparentam mostrar contradições sobre o que de fato o cessar-fogo engloba. Além disso, o Irã e os EUA já tiveram duas rodadas de negociações no ano passado, e nas duas ocasiões houve uma escalada de tensões militares durante as negociações. Segundo Khashayar Joneidi, correspondente da BBC News Persa em Washington, há um déficit de confiança entre os países às vésperas de uma nova rodada de negociações. Joneidi lista entre os impasses o tráfego no estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano. "Os EUA condicionaram o cessar-fogo à livre circulação de navios no estreito de Ormuz, enquanto o Irã insiste em manter controle sobre o tráfego marítimo na região, citando sua posição geográfica como prioridade estratégica", afirma Joneidi. Além disso, segundo Joneidi, "a mídia estatal do país afirma que os EUA teriam aceitado o enriquecimento de urânio no Irã, mas Washington sustenta a posição oposta: não quer que nenhum enriquecimento seja realizado no território iraniano". A lista de demandas do Irã Segundo uma emissora estatal iraniana, o plano de 10 pontos enviado aos EUA e que deve ser discutido nos próximos dias prevê: Cessar completamente a guerra no Iraque, Líbano e Iêmen; Cessar completa e permanentemente a guerra contra o Irã, sem limite de tempo; Encerrar todos os conflitos na região em sua totalidade; Reabrir o estreito de Ormuz; Estabelecer um protocolo e condições para garantir a liberdade e segurança da navegação no estreito de Ormuz; Pagamento integral de indenizações pelos custos de reconstrução ao Irã; Compromisso total com a suspensão das sanções ao Irã; Liberação de fundos e ativos congelados do Irã mantidos pelos Estados Unidos; O Irã se compromete integralmente a não tentar possuir armas nucleares; O cessar-fogo imediato entra em vigor em todas as frentes assim que as condições acima forem aprovadas. Embora os detalhes desse plano ainda não sejam conhecidos, Trump afirmou que ele oferece uma "base viável para negociação".

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/08/o-que-se-sabe-sobre-o-cessar-fogo-de-duas-semanas-entre-eua-e-ira.ghtml


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